Um papo sobre essa tal de superação

superação

Oi, gente! Tudo bem?

Há algum tempo, criei um blog para fazer a mesma coisa que estou fazendo aqui no blog da Damaris – falar sobre assuntos variados e sobre coisas mais pessoais também. Hoje falarei sobre algo bem pessoal para mim.

Em uma noite quente, quando eu tinha 12 ou 13 anos, cheguei da escola – como todos os dias –, coloquei minha mochila em meu quarto e fui pra sala assistir TV. Mas nesse dia aconteceu algo diferente. Depois de um tempo assistindo TV, comecei a ouvir/sentir um zumbido estranho no ouvido esquerdo. O zumbido foi ficando mais alto e, somado a ele, comecei a sentir dor. Avisei meus pais, fui ao médico.

Cheguei ao médico e fui examinada. Se eu disser que lembro o que o médico diagnosticou, estarei mentindo. Mas lembro que o remédio que me foi medicado foi um chamado Corticoide. Até aí, tudo bem. Voltei pra casa, comecei a tomar o remédio. Eu fiquei muito inchada e a dor passou, mas o zumbido, não. Parei de tomar remédio por conta própria. Foi errado, eu sei. Mas na minha cabeça, se ele não parava o zumbido, não estava fazendo efeito. “E seus pais, Yasmin? Não falaram nada?” Sinceramente, não me lembro.

Depois disso, marquei uma consulta com uma otorrinolaringologista; foi uma doutora que me tratou muito mal. Não lembro como foi a consulta, mas bati o pé e disse que não me consultaria mais com ela – releve, estamos falando da Yasmin na pré-adolescência.

A patroa da minha bisavó, na época, se sensibilizou e marcou uma consulta para mim com o otorrino particular dela. Ele me tratou muito bem, disse que a esposa dele sofria da mesma coisa e solicitou uma bateria de exames. E lá fui eu, fiz exames de todo tipo para o ouvido e um exame de sangue para saber se eu era diabética, mas foi assim que descobri que sou hipoglicêmica. Mas isso é assunto para outro post.

Tendo o resultado dos exames, ele disse que o zumbido não pararia porque eu havia perdido parte da audição do ouvido esquerdo – o zumbido se fazia presente em função dessa perda. O doutor até colocou uma câmera dentro do meu canal auditivo para verificar se havia algo com o meu tímpano. Nada. Fisicamente, era tudo normal.Ele disse que o zumbido ficaria estável e que eu podia ir pra casa tranquila. Como você diz para uma criança de 12/13 anos ir para casa tranquila após dizer para essa mesma criança que ela, que sempre teve a audição perfeita, havia perdido parte da audição do ouvido esquerdo e que, de bônus, ganhara um zumbido?

Meu mundo desabou.

Eu não aceitava. Não falava sobre o assunto. Lembro das muitas vezes em que precisei virar a cabeça para que o ouvido direito (o lado bom), recebesse o som. Lembro das muitas vezes em que eu colocava a pessoa  com quem estava conversando do meu lado direito, porque “meu lado errado”, como eu chamava, não a ouvia. Foi um sofrimento muito grande pra mim, mas me acostumei. Leia bem: me acostumei.

O tempo passou. Em algum momento do ano passado, não lembro ao certo quando, marquei uma consulta com uma otorrino. A achei distante, fria, e que fazia a linha daqueles médicos que “só estão ali por obrigação”. Não voltei para fazer os exames.

Esse abril desse ano, resolvi marcar outra consulta. Em um determinado dia. Acompanhei minha bisa em uma consulta dela com um otorrino. Acabou que me consultei também. Ele foi bem gentil e me pediu alguns exames. Os fiz. E foi péssimo. Não por ter sentido dor ou algo assim, mas pela doutora que realizou o exame disse que o resultado do exame havia dado alteração quando comparado àquele de quando era pré-adolescente. Pensando agora, eu deveria saber que isso aconteceria, porém tal situação nem passou pela minha cabeça. Mais uma vez, eu desabei. Por favor, entenda, falar sobre a minha audição sempre foi algo delicado para mim. Ainda é difícil aceitar que alguém (eu) que nasceu perfeita, tenha perdido a audição.

Foi a vez em que fiquei mais nervosa. Nervosa a ponto de tomar calmante e passar o final de semana dopada. Minha gastrite e enxaqueca resolveram se manifestar também. E, adivinha? Tudo isso na minha semana de provas. Sim, eu fui fazer as provas – não as perderia.

Voltei ao médico na semana seguinte com os exames. Ele confirmou a alteração na audição e me indicou o uso de um aparelho auditivo. Eu já esperava por isso, mas ter a confirmação… Não foi legal.

Assim que saí do consultório fui direto a uma loja especializada no assunto. Assinei um termo de responsabilidade e fiquei com um aparelho indicado para o meu tipo de perda como um teste por uma semana. Sinceramente, a diferença entre usar e não usar o aparelho para mim é mínima, pois o zumbido ainda está aqui e ele impede que eu sinta grande diferença com o uso do aparelho. O zumbido permanece depois de tanto tempo? Sim, ele está aqui 24 horas por dia. Não para.

Uso o aparelho desde o final de abril. Repito o que disse, a diferença para mim não é grande, mas sinto falta quando não estou com ele.

E agora o motivo para contar toda essa história.

No primeiro final de semana de julho eu participei de um retiro espiritual. Se você não acredita nessas coisas, tudo bem, eu respeito sua opinião. Muitas palestras foram ministradas nesse retiro e uma, em específico, chamou minha atenção. A palestra foi ministrada por uma moça chamada Larissa, uma moça que passou pelo câncer três vezes. Sim, ela teve câncer três vezes. E se recuperou de TODAS elas. Esse é um resumo bem “meia boca” da história dela, mas é só para vocês terem uma ideia do que eu estou falando.

Enquanto eu ouvia o que aquela moça, não tão mais velha que eu, dizia, e depois, quando parei pra pensar, me fiz uma única pergunta: O que eu estava pensando?

Existe um ditado que diz: “Deus não te dá um fardo maior do que você possa carregar” (novamente, se você não acredita nessas coisas, eu respeito sua opinião), e eu comecei a pensar sobre isso. O que é a perda auditiva, PARTE da audição de um ouvido, quando se tem câncer TRÊS VEZES? E não, eu não estou comparado meu problema ao dela, só te mostrando o quanto nós tendemos a engrandecer os nossos problemas quando existem pessoas por aí que enfrentam turbulências indescritíveis quando comparados aos nossos.

O quanto você se martirizou hoje por estar com enxaqueca há três dias sem nem pensar que nesse exato momento tem alguém perdendo a luta contra o câncer, contra a AIDS.

Quer se trancar no seu quarto e chorar um dia inteiro? Faça isso. Quer dizer que sua vida é uma porcaria e que você preferia morrer a viver de determinada maneira? Faça isso. Quer culpar o mundo por um problema que é seu? Faça isso. Mas faça tudo em um único dia porque lágrimas e reclamações não resolvem o problema de ninguém.

O que eu quero dizer é: vamos dar a devida importância aos nossos problemas. Não os engrandeçamos como se só nós sofrêssemos no mundo. E se você tem um problema que seja gigante, como o da moça que ministrou a palestra, lute com toda a força que você tem, lute com a sua alma e mostra para as pessoas que você conhece que se você conseguiu, ela também consegue. Mas principalmente, mostre a si mesmo ser mais forte do que você acreditava que era.

Eu aprendi a dar a devida importância aos meus problemas, não os faço maior do que deveriam ser. Demorei muito, muito mesmo, mas aprendi. E hoje posso dizer com certeza: eu superei o que aconteceu comigo. Como sei disso? Consigo falar sobre o assunto sem me entristecer, consegui escrever este post sem chorar. Hoje eu dou risada de mim mesma. Até dei um nome pro meu aparelho: Alfredo. Um nome antigo para algo que, supostamente, “somente” pessoas mais velhas usam. Faça a mesma coisa, tá? Tente fazer a mesma coisa. Não perca seu tempo engrandecendo seus problemas, procure uma solução para eles.

É isso.

Até o próximo sábado.  😉

Um beijo!  ;*

P.S.: Estou em acompanhamento com uma fonoaudióloga em função do uso do Alfredo. Acredito que na próxima consulta faremos um novo exame. Não desisti de por um fim no zumbido, mas cada coisa no seu tempo.

yasmin1

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s