Você chama isso de relacionamento?

Oi, gente! Tudo bem?

Hoje eu vim falar de assunto delicado, afinal, quem gosta de falar sobre isso?

Tenho uma amiga em um relacionamento abusivo. Ela não percebe, não sabe se sai ou fica. Estou julgando? De forma alguma. Cada um sabe de si. Entretanto, acredito que todos que passam por isso precisam de alguém pra tentar lhe “abrir os olhos”.

Hoje eu serei essa pessoa. O texto é longo, mas você promete ler até o final?

Vamos chamar minha amiga de A. (letra inicial longe da dela). Em 2015, um ou dois meses depois de eu ter conhecido a A., o relacionamento dela acabou. Um relacionamento que tinha dado certo; durou dois anos. Lembro que na época a A. sofreu muito, chorava o tempo inteiro, dizia que não sabia como seria feliz sem o namorado, que queria morrer pro sofrimento acabar. Conforme o tempo foi passando, a A. melhorou. Percebeu que a vida continuava e seguiu em frente. Ela era uma menina linda. Sorridente, positiva, engraçada, de bem com a vida, com um amor próprio tão grande que fazia com que você aprendesse a se amar. Ela dizia que estava sendo quem ela não podia ser com o namorado porque ele a privava.

Isso tudo até a metade do ano passado, quando ela conheceu o B. (letra inicial longe da dele). Eles se conheceram através de amigos em comum e era tudo incrível. Não começaram a namorar logo de cara; eles ficavam juntos quando se viam em alguma festa e determinaram que seria daquela maneira, inicialmente. Eles se tornaram amigos. Não demorou muito pra que a A. se sentisse tão confortável com o B. a ponto de começar a contar tudo para ele. Ela sentia segurança, afinal eles eram amigos, certo?

Então eles começaram a namorar. A A. estava radiante por ter encontrado o príncipe que nunca cara nenhum tinha sido pra ela. Ele se dava bem com a família dela, fazia tudo por ela. Até que ele começou a “jogar na cara dela” tudo o que ela tinha contado pra ele quando eles eram amigos. Tem um fato importante nessa história que fez com que ele agisse dessa forma, mas não acho que cabe a mim expor tanto assim. O que eu posso dizer é que esse acontecimento faz parte de um passado distante, enterrado pela A., mas que o B. não consegue aceitar.

E foi assim que tudo começou.

O B. queria que a A. deixasse de falar com a pessoa envolvida nesse assunto, mas essa pessoa era amiga da A., além de fazer parte da família dela. Toda a história gira em torno desse fato. Ele não querer que ela converse, ela batendo o pé dizendo que vai conversar.

Você pode estar pensando “só isso?”, mas é nesse “só isso” que grandes problemas começam. O relacionamento da A. começou a ir por água abaixo. O B. a humilhava, a xingava, a menosprezava, fazia com que ela se sentisse um lixo. Ele fazia jogos psicológicos para que ela acreditasse realmente ser culpada de tudo. Uma vez a ameaçou. Uma vez deu um tapa na cara dela. Uma vez.

E esse é o argumento da A.: “foi só uma vez”.

Um dia, a A. resolveu desabafar para mim e outras amigas. Ela contou tudo de uma vez, desesperada. Nós ficamos sem reação, pois ela escondia tão bem o que estava passando que acreditávamos estar tudo certo. Depois daquela dia, a A. deixou de ser sorridente, positiva, engraçada, de bem com a vida, e o amor próprio dela desapareceu. Ela passou a se humilhar para o B. e achar que realmente a culpa de tudo era dela.

A A. tentou terminar algumas vezes, mas não conseguiu; o B. não deixava. Ficava no pé dela. Se ela o bloqueava no whatsapp, mandava sms para que o desbloqueasse ou ligava pra ela. E por que ela não o bloqueou de tudo ou mudou o telefone? Porque ela não conseguiu. A A. está em um processo de amadurecimento. Ela mudou MUITO em diversas coisas. Mas continua achando que a felicidade dela depende de um parceiro, então não consegue se afastar completamento do B. Hoje eles não estão juntos como um casal, mas estão conversando para linhar os pontos e poder tentar de novo. Entretanto, vez ou outra a A. me manda mensagem chorando falando sobre algum absurdo que o B. disse pra ela. Mas tudo nessa vida é uma questão de escolha. Estar ou não com ele, por mais que faça mal a ela, é uma escolha que só diz respeito a ela.

O mesmo vale para você.

Meu objetivo com o texto deste sábado é te fazer pensar sobre seus relacionamentos. Todos eles, não só o amoroso.

Eu sei que quando estamos envolvidas numa situação é muito difícil conseguirmos analisá-la. Mas tenta. Se fosse sua amiga ou sua irmã passando por tudo o que você está passando, o que você diria pra ela? Como reagiria?

Violência não é só física; essa imagem define bem isso:

v.jpg

Identificou seu caso na imagem? Denuncie!

A denúncia pode ser feita em qualquer delegacia ou pela Central de Atendimento à Mulher, ligando 180. A denúncia é anônima, gratuita e disponível 24 horas em todo o país. Além disso, o aplicativo Clique 180 também pode te ajudar e traz diversas informações importantes, como os tópicos da Lei Maria da Penha.

O caso da A. é apenas um dos milhares de caso que acontecem no mundo todos os dias. O medo existe, mas supere-o para que consiga ter uma vida melhor. E nem pense em vergonha ou no que as pessoas vão dizer. Quem você pensa que vai te julgar, na verdade só quer te ajudar.

Até próximo sábado.  😉

Um beijo. ;*

 

 

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